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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Já não necessito de TI _Alberto

Já não necessito de ti
Tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
Tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio
De outras galáxias, e o remorso.....
.....um dia pressenti a música estelar das pedras
abandonei-me ao silencio.....
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
não, não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas
ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade do meu próprio corpo.
Ofício de Amar

domingo, 29 de agosto de 2010

A janela que abre para o mar... - Al Berto
















Quando aqui não estás

o que nos rodeou põe-se a morrer



a janela que abre para o mar

continua fechada só nos sonhos

me ergo

abro-a

deixo a frescura e a força da manhã

escorrerem pelos dedos prisioneiros

da tristeza

acordo

para a cegante claridade das ondas



um rosto desenvolve-se nítido

além

rasando o sal da imensa ausência

uma voz



quero morrer

com uma overdose de beleza



e num sussurro o corpo apaziguado

perscruta esse coração

esse

solitário caçador.



in Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea,