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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Da Solidão - Maria Alberta Menéres

Inquieta chuva, inquieta me dispersa,
esquecida a tradição e o cansado som.

Dentro e fora de mim tudo é deserto
como se as ervas fossem arrancadas
ou se esgotasse a dor por que se chora.

Na grande solidão me basta, e a contemplo
para o sonho interior que me resolve!

Tão fácil é esperar, que já nem sinto
o que vem a dormir ou a morrer
na mesma angústia que
o silêncio envolve.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Entre a Sombra e a noite - Maria Alberta Menéres




















Entre a sombra e a noite há um submisso
instante
de preparação.
Aberto espaço onde as aves não cantam,
imaculado, instantâneo refúgio
Entre a sombra e a noite, único passo.

- E é serena e frágil a presença
dos nossos vultos passageiros,
isolados na própria condição.

Onde nada se move, uma estrela suspensa.

E tão inútilmente despedaço o encanto,
e tão súbita me vem uma tristeza antiga,
que entre a sombra e a noite encontra o meu
refúgio

- o intocável, único espaço.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Um dia eu te direi - Maria Alberta Menéres















Um dia eu te direi  o nome do silêncio
o pronome da cólera
Esta chuva destrói a cor dos nossos olhos

Eu te direi a luz do sussurro do vento
aberto na boca

É preciso ensinar as palavras
com paciência
guiá-las docemente     são crianças
grávidas e serenas.

Um dia eu te direi a face do papel
Onde erguerei a casa
O jardim fecundado
pela  gota do sangue

Eu te direi como a ternura quebra

o fósforo se esvai.