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terça-feira, 14 de setembro de 2010

A Lenda de Uma Cigana - Mafalda Veiga



A lenda de uma cigana
Adormecida ao relento
Que perdeu a caravana
Por seguir o pensamento
Tem dias que anda pairando
Nos rumos do mundo
Tem dias que anda rolando
Nas presas do tempo.

Diz a lenda que a cigana
Pelo caminho onde viera
O xaile tinha perdido
E um vagabundo o trouxera
Sacudindo o pó e as mágoas
Como se a cor acordasse
Num abraço dançou com ela
Antes que o vento a roubasse.

Só o vento nos roda a saia
Só o vento nos faz dançar
Nos confunde os passos na areia
Muda o rumo às águas do mar.

No silêncio mal se ouviam
Dançar descalços na areia
Numa noite quase fria
Estava a lua quase cheia
E pra rasgarem o escuro
Ou fugir à solidão
Ataram corpos cansados
Na sombra vaga do chão.

Quando o sol entorna o dia
Ficara o xaile esquecido
E os passos da cigana
Já o vento tinha escondido
Ficou só o vagabundo
Resgatando uma ilusão
Com a alma amordaçada
Na palma da mão.

Só o vento nos roda a saia
Só o vento nos faz dançar
Nos confunde os passos na areia
Muda o rumo às águas do mar.

domingo, 16 de maio de 2010

Não me ensines os caminhos

 
Não me ensines os caminhos,

Quero rasgá-los no meu peito,

Quando aprendemos sozinhos
Parece que há mais direito,

A ter inteira a tua alma
Roubar-ta quando não esperas

E abraçar-te no colo sem saberes
Como se faz a um amor que se perdera

Assim andarás comigo
Quando de ti não souberes

E não te ensino os caminhos
Para tomares os rumos que quiseres ...




De "Saltimbanco Louco", Mafalda Veiga

quarta-feira, 4 de março de 2009

Por Te Rever - Mafalda Veiga












Quisera roubar-te essas palavras e morrer

Trazer-te assim até ao fim do que eu puder

E começar um dia mais eternamente

Por te rever, só

Pudesse eu guardar-te nos sentidos e na voz

E descobrir o que será de nós

E demorar um dia mais eternamente

Por te rever, só

Quisera a ternura, calmaria azul do mar

O riso o amor o gosto a sal a sol do olhar

E um lugar pra me espraiar eternamente

Por te rever, só

Pudesse eu ser tempo a respirar no teu abraço

Adormecer e abandonar-me de cansaço

Quisera assim perder-me em mim eternamente

Por te rever, só