Mostrar mensagens com a etiqueta Sophia de Mello Breyner. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sophia de Mello Breyner. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Quem és Tu _ Sophia Mello Breyner Andresen

Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
...Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?


A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.

A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.

A Forma Justa - Sophia de Mello Breyner Andresen

UM EXCELENTE 2011 - com a esperança que seja o melhor ano das NOSSAS VIDAS.


Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Chamo-te - Sophia de Mello Breyner Andresen





Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio

E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cante Jondo, Sophia de Mello Breyner



Numa noite sem lua o meu amor morreu

Homens sem nome levaram pela rua

Um corpo nu e morto que era o meu.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Escuto - Sophia de Mello Breyner



















Escuto mas não sei

Se o que oiço é silêncio

Ou deus


Escuto sem saber se estou ouvindo

O ressoar das planícies do vazio

Ou a consciência atenta

Que nos confins do universo

Me decifra e fita



Apenas sei que caminho como quem

É olhado amado e conhecido

E por isso em cada gesto ponho

Solenidade e risco

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Instantes _ Sophia de Mello Breyner Andresen


"Quando eu morrer voltarei para buscar

Os instantes que não vivi junto do mar".

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Esperança...em palavras de Sophia Mello Breyner


Apesar das ruínas

e da morte,
onde sempre
acabou cada ilusão,

a força dos meus sonhos é tão forte,

que de tudo nasce a exaltação
e nunca as minhas mãos
ficam vazias.


Sophia de Mello Breyner

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Espero - Sophia de Mello Breyner



Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.