quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Olhos nos Olhos - Chico Buarque, 1976



"Quando você me quiser rever,
Já vai me encontrar refeita,
Pode crer!
Olhos no olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você passo bem demais
E que venho até remoçando.
Me pego cantando, Sem mais nem porquê.
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você".

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Silêncio (divagações sobre "Adeus" de Eugénio de Andrade)




A Eugénio de Andrade faltou-lhe descobrir
que às vezes até o Silêncio se gasta.

Ou que ás vezes ele por si só "gasta"
tudo o demais que ainda existia.

(F.R.- 27-12-2009)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Podia ser o fim de qualquer Amor" - 5º Parte

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As janelas altas estão todas a falar durante o tempo inteiro que lá está.


Quem sabe o que aconteceu? A luz entra a matar. Diz que sim. Diz que vai. É um dia de semana. Não há problemas. Não há atrasos. É um dia novo. Diz que sim. Pensando bem.
Com a vida inteira á frente como se nunca tivesse amado. Não. Não como se nunca tivesse amado. Na verdade como se nunca tivesse sido amado.
Porque afinal, à coisa mais pequena da vida morre a coisa maior."

"Podia ser o fim de qualquer amor" - 4ª Parte

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Em dia.Em dia de inverno, no fim de uma história. Sentado num banco de Hotel quase vazio, com um livro ao lado. O amor é uma forma de organização. Ocupa, arruma, decide por nós. Telefona-se antes de dormir, almoça-se de costas para o mar, discute-se tudo o que acontece. O amor. O amor tem os dias contados. Não se pode contar com a força dele.





Não se pode contar uma verdadeira história de amor. Quem é que a queria ouvir? Só uma história passada com outras pessoas. Só uma história parada antes de chegar ao fim.Os sítios sabem mais que as palavras. Diz que sim. A coisas acontecem mais em elas do que em nós. As janelas altas estão todas a falar.


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(Continua)

"Podia ser o fim de qualquer Amor" - 3a Parte

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Fica só muito tempo do tempo todo que não se soube como passou. O amor é um trabalho de atenção. Diz que sim. Basta um abrir e fechar de olhos e perdeu-se. E o coração lançado à rua, desempregado de repente. Num dia de sol. O amor é uma força que não presta para mais nada. O que é que se pode fazer?




O que se pode fazer quando o amor nos larga? De repente há tempo para ler, tempo para os amigos, tempo para o trabalho, tempo para o olhar. Diz que sim. Há tempo para tudo, mas é tudo sem querer.
E depois um dia acorda-se, vai-se á mesa, lê-se a última página do último livro que se tinha para ler, abre-se a agenda, e verifica-se que tudo está em ordem e que se está finalmente em dia.

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(continua)

"Podia ser o fim de qualquer amor" - 2ª Parte


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E não fica nada daquele dia branco.
Um dia olhou para as mãos de quem amou e já não se viu dentro delas.

Agora lembra-se do dia em que quis ser igual a ela. E do que nunca lhe disse."Se te visses uma única vez, se te sentasses á tua frente e te ouvisses a falar, se te pudesses segurar, percebias porque é que as pessoas se apaixonam por ti". Ás vezes a verdade é a última coisa que se pode dizer.


Ele não disse, ela não ouviu e nada ficou. Nem sequer para lembrar. Quando a paixão é tão grande nenhuma memória presta. Fica só muito tempo.

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(continua)

"Podia ser o fim de qualquer amor" - 1ª parte

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" Podia ser o fim de qualquer amor. É sempre nos mesmos sítios. Diz que sim.Na alma bate a mesma chuva pesada. O tempo levanta-se contra quem o tem.O riso não separa os dias uns dos outros. Está o coração entreaberto.
A vida nota-se em demasia.
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A vida nota-se em demasia numa sala escura. O amor chama muito. As pessoas deixam-se prender pela luz. Fazem fogo fácil. Param.
E não fica nada".
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(continua)